terça-feira, 13 de outubro de 2009

Não queremos o que temos

Atchim! Saúde! Tomara que esse desejo seja sincero e dê certo! Na época em que a peste negra assolava a Europa, pela semelhança entre o resfriado e a enfermidade mortal, quando alguém espirrava, o positivo - tido como bem educado - desejava "saúde", como quem diz "que isso não seja a peste negra", e o negativo dizia: "Deus te crie!", que soava como um "encomenda um caixão que essa é a danada!".
Quando se conhece mais a fundo o atendimento público de saúde dá-se mais valor a um desejo desses após um espirro. Eu mesmo agradeço profundamente e torço para que dê certo! Mas tem gente que pode se dar ao luxo de não precisar desse tipo de votos. Gente que não depende do Wellfare State, geralmente são aqueles que o fornecem. Já soube de algum político na fila do SUS? De unha encravada até câncer eles cuidam no Sírio Libanês, no Albert Einsten ou viajam pros esteides para terem acesso a um tratamento que aqui não existe.
Entretanto o zé fulano que tem a mesma doença, cujo tratamento não existe em solos tupiniquins, morre na fila do SUS. Mas enquanto morrer pobre o problema parece rotina boba, tem tanto no mundo que não tem problema morrerem uns milhõesinhos. Gostaria de saber o porquê dos políticos - e elite num geral- acharem que a vida deles vale mais que a nossa. O assassinato em massa parece ter virado coisa boba, né? Afinal nas propagandas da TV o mundo da saúde pública é uma maravilha e o que conta é o que passa na telinha.
O básico não está bom! Bom é o justo! E o justo é o que a população precisa. Na boa, precisamos muito mais do que temos.

"Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido." - Oscar Wilde

Wilde foi duro com as palavras, o fez para provocar, almejando uma reação. Wellfare State é migalha também e tá na hpra de pegar o que tem na mesa! Saúde pra nóis e que Deus crie os políticos!

1 comentários:

Amanda disse...

Muito legal esse post. Minha mãe trabalha num hospital publico e eu fico horrorizada com as coisas que ela conta. E olha que ele não é dos piores. Eu odeio ir la e ver as pessoas sofrendo sem poder fazer nada.